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O Clube do ROE Monstro: O Que Explica a Rentabilidade Fora da Curva dessas 5 Empresas Brasileiras ?

Data: date_range 26/09/2026 - 13:24:56

O Clube do ROE Monstro: O Que Explica a Rentabilidade Fora da Curva dessas 5 Empresas Brasileiras ?

 

Se você acompanha o mercado financeiro, sabe que existe um indicador que separa as empresas comuns das verdadeiras máquinas de gerar riqueza: o ROE (Return on Equity, ou Retorno sobre o Patrimônio Líquido). Em termos simples, o ROE mede a capacidade de uma empresa transformar o dinheiro dos acionistas em lucro puro.

Fizemos um levantamento em que calculamos a média dos maiores ROE(s) das empresas que possuem ações negociadas na bolsa brasileira dos últimos anos considerando o último balanço divulgado destas (2023, 2024, 2025 e 2T26).

Tais empresas apresentaram médias de ROEs simplesmente espetaculares nos últimos anos conforme mostrado abaixo:

Empresa

Código

ROE 23’

ROE 24’

ROE 25’

ROE 2T26

Média

Comgás

CGAS5

83,15%

158,08%

107,28%

95,90%

111,10%

BB Seguridade

BBSE3

80,96%

89,77%

86,84%

84,38%

85,49%

Metal Leve

LEVE3

82,19%

70,45%

70,65%

72,29%

73,90%

Cury

CURY3

55,70%

59,32%

70,60%

66,38%

63,00%

Elektro

EKTR4

32,38%

45,45%

46,94%

35,11%

39,97%

fonte: Blue Chip Invest

 

Mas o que está por trás desses números tão altos ? Será que essa rentabilidade estrondosa veio para ficar ou existem armadilhas escondidas nos balanços ?
 
Neste artigo completo da Blue Chip Invest, vamos dissecar a anatomia por trás desse "ROE Monstro" e passar cada uma dessas companhias pelo mais severo filtro de qualidade do mercado.
 
 
O que explica um ROE tão elevado e consistente ?
 
Antes de apontar a sustentabilidade de cada negócio, precisamos desinflar os números. Um ROE elevado pode ser fruto de três coisas: margens de lucro gigantescas, de um altíssimo giro de estoque ou de um endividamento excessivo (alavancagem).
 
Mesmo expurgando quaisquer ganhos não recorrentes ou manobras contábeis temporárias do período, o segredo da manutenção do ROE desse "clube dos cinco" reside em três pilares estruturais e operacionais:
 
1. Poder de Precificação (Pricing Power): Empresas como Comgás, Elektro e BB Seguridade operam com contratos ou produtos reajustados por índices inflacionários (IPCA/IGP-M). Se o custo sobe, elas repassam o preço ao consumidor final sem perder volume de clientes.
 
2. Modelos de Negócio Leves (Asset-Light ou Alto Giro): A BB Seguridade não gasta bilhões construindo agências bancárias; ela usa a estrutura física do Banco do Brasil. A Cury ergue e vende edifícios com uma velocidade de giro impressionante. Menos dinheiro retido no balanço significa um patrimônio líquido enxuto e, consequentemente, um ROE que decola.
 
3. Fossos Econômicos de Longo Prazo: A presença de barreiras de entrada intransponíveis, como monopólios regulados pelo Estado (energia e gás) ou canais de distribuição exclusivos de alta capilaridade.
 
 
O Filtro da Qualidade: Quais dessas ações são sustentáveis ?
 
 
Para entender a solidez dessas companhias, podemos aplicar os conceitos de grandes mestres do Value Investing, como o próprio Warren Buffett, que sempre priorizou empresas previsíveis, com fortes barreiras contra concorrentes e baixa necessidade de reinvestimento. Ao passar o quinteto por esse filtro de qualidade, percebemos que elas se dividem em três perfis muito distintos:
 
As Campeãs em Consistência e Previsibilidade
 
BB Seguridade (BBSE3)
 
Por que o negócio é tão forte: Atuando em seguros e previdência, a BBSE3 possui uma dinâmica fantástica: ela recebe o dinheiro dos prêmios de seguro hoje e só paga os sinistros meses ou anos depois. Enquanto isso, esse caixa multibilionário (conhecido como float) fica rendendo juros limpos no mercado financeiro. Além disso, o acesso exclusivo ao "balcão" de clientes do agronegócio do Banco do Brasil cria uma barreira competitiva praticamente impossível de ser quebrada por concorrentes.
 
Comgás (CGAS5)
 
Por que o negócio é tão forte: É a maior distribuidora de gás canalizado do país e opera sob um monopólio geográfico absoluto em regiões hiper-industriais do estado de São Paulo. É o tipo de negócio gerador de caixa perpétuo: as pessoas e indústrias não vão parar de usar gás, independentemente do cenário econômico. O ROE aqui é protegido por contratos de concessão de longuíssimo prazo.
 
 A Operação Sólida com Restrição de Mercado
 
Elektro (EKTR4)
 
A análise do negócio: Assim como a Comgás, a Elektro opera um monopólio natural de utilidade pública (distribuição de energia elétrica), garantindo receitas blindadas contra a inflação e alta previsibilidade operacional. A única grande ressalva aqui não está na operação, mas sim na estrutura do mercado de capitais: a empresa possui pouquíssimas ações em livre circulação (free float), o que reduz sua liquidez e dificulta a montagem de grandes posições de investimentos para fundos ou grandes investidores.
 
As Rentáveis que Enfrentam Desafios Setoriais
 
Metal Leve (LEVE3)
 
O ponto de atenção: Embora seja uma excelente empresa, líder de mercado e historicamente uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa, a Metal Leve fabrica autopeças focadas em motores a combustão interna. Ela enfrenta o desafio secular e a incerteza da transição global para veículos elétricos e híbridos. Por mais que o mercado de reposição seja forte hoje, a previsibilidade do setor para as próximas décadas possui pontos de interrogação que exigem cautela de um investidor de valor de longo prazo.
 
Cury (CURY3)
 
O ponto de atenção: A Cury é uma máquina de execução e se destaca como uma das incorporadoras mais eficientes e lucrativas do país no segmento de baixa renda. Contudo, o setor de construção civil é tradicionalmente cíclico, sensível às oscilações das taxas de juros de mercado e altamente dependente de subsídios habitacionais e decisões governamentais (como as regras do programa Minha Casa Minha Vida). Essa volatilidade macroeconômica faz com que ela não seja o tipo de ação previsível para esquecer na carteira por 20 anos, exigindo um acompanhamento muito mais próximo.
 
 
Conclusão: O Aprendizado para o Investidor
 
 
Olhar apenas para o ROE de uma empresa de forma isolada é como olhar o velocímetro de um carro sem checar as condições do motor ou do combustível. O grande segredo revelado por essas companhias é que rentabilidade de verdade nasce de vantagens competitivas reais e duradouras, e não de fatores passageiros.
 
Para montar uma carteira focada em resiliência e multiplicação de patrimônio, o papel do investidor inteligente é identificar quais dessas empresas possuem barreiras reais para proteger seus lucros no futuro — e quais podem sofrer quando o vento da economia mudar.
 

Disclaimer:

Este artigo possui finalidade exclusivamente educacional e informativa. As empresas mencionadas não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de valores mobiliários.

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