A Alupar é uma holding de controle nacional privado, tendo atuação no setor de energia com foco nos segmentos de transmissão e geração. A companhia tem por objetivo desenvolver e investir em projetos de infraestrutura relacionados ao setor de energia no Brasil e nos demais países da América Latina. A Alupar é uma das maiores empresas em termos de Receita Anual Permitida (RAP), sendo a maior companhia quando consideramos o controle estritamente privado.
A Alupar atua nos segmentos de transmissão e geração de energia elétrica sendo uma das maiores do Brasil em termos de RAP (Receita Anual Permitida). A RAP é uma vantagem competitiva que a empresa tem, pois sua remuneração ocorre na assinatura do contrato não dependendo assim da quantidade de energia transmitida o que leva a uma alta previsibilidade no fluxo de caixa.
Em 2025 aproximadamente 80,0% da receita da companhia veio do segmento de transmissão.
A empresa segue em busca de investimentos em ativos de transmissão com potencial retorno atrativo na América Latina, como forma de seguir com a diversificação de receitas e aumentar a receita vinculada ao dólar.
A companhia está se preparando para a renovação das concessões de transmissão que vencem antes de 2030, em meio a debates em andamento sobre a estrutura de relicenciamento.
Tais concessões com vencimento antes de 2030 representam aproximadamente 10% da RAP total.
Esses ativos fazem parte da primeira fase de expansão da transmissão no Brasil, ainda no modelo antigo de concessões.
No entanto grande parte do valor da empresa vem de projetos mais novos, leiloados após 2013, que possuem contratos de 30 anos.
Logo, podemos concluir que as concessões que vencem até 2030 não são as mais relevantes no portfólio da Alupar, porque a empresa expandiu muito com projetos mais longos.
Dito isso vamos aos números:
A receita líquida saiu de R$ 5,2 bilhões em 2021 para R$ 4,4 bilhões em 2025. Porém, esta queda não significa necessariamente deterioração operacional, já que boa parte dessa variação está ligada a efeitos contábeis e regulatórios, principalmente no segmento de transmissão. Logo, a queda foi ocasionada principalmente porque a empresa reconhece receita pelo modelo contábil IFRS de concessões, na qual quando um projeto entra em operação ou está em construção, a empresa registra receita de construção e financeira elevada no início da concessão que com o passar do tempo esta receita geralmente cai. Diante disso, até 2021 a empresa tinha vários projetos grandes entrando em operação o que impulsionou a receita contábil até esse período sendo que à medida que tais projetos foram amadurecendo observamos essa queda na receita.
No mesmo período de comparação o Ebit apresentara queda ao sair de R$ 3,7 bilhões (2021) para R$ 2,8 bilhões (2025). Tal queda é explicada pelos seguintes motivos: i) Redução da receita de construção, ou seja, entre 2022 e 2025, parte dos grandes projetos entrou em operação e o ciclo de obras diminuiu, o que reduziu essa linha de receita; ii) Maturação dos ativos de transmissão (efeito IFRS) levando assim a queda no reconhecimento da receita financeira que é maior no início da concessão; iii) Aumento dos custos operacionais e; iv) Mudança no mix de projetos com os projetos de transmissão mais recentes no Brasil possuindo TIR menor do que nos primeiros leilões do setor.
Já a dívida bruta atingiu R$ 12,6 bilhões em 2025 ante R$ 10,1 bilhões em 2021 apesar do menor ciclo de obras nos últimos anos. Logo esta expansão se deve a: i) Entrada de novos projetos (mesmo que menores) e; ii) Aumento do custo da dívida (efeito da taxa de juros). Dessa forma a atual dívida bruta da empresa representa 138,0% do patrimônio líquido da mesma o que pode ser considerada uma alavancagem alta.
Contudo, apesar da queda na receita e ebit, o lucro líquido da companhia apresentou algum avanço no mesmo intervalo comparativo já que saiu de R$ 1,1 bilhões (2021) e foi para R$ 1,2 bilhões (2025) explicada por fatores como: i) Parte do retorno do investimento é registrada no resultado financeiro nas transmissoras e não no operacional possibilitando assim o aumento nolucro líquido mesmo com EBIT menor; ii) Maior resultado de equivalência patrimonial que só aparece depois do ebit e; iii) Menor impacto de itens não recorrentes.
Fica evidente que o desempenho dos principais números da Alupar nos últimos anos se deve em boa parte a fatores contábeis e de ciclo de investimentos que são particularidades do setor de transmissão e não necessariamente por deterioração estrutural do negócio. O grande diferencial da companhia é a alta previsibilidade no fluxo de caixa que se deve a característica peculiar do seu setor de atuação (transmissão de energia elétrica) o que confere maior segurança principalmente em momentos conturbados como o atual. No entanto, o setor possui empresas que estão sendo negociadas com múltiplos mais atrativos como a Isa Energia (ISAE4) o que nos leva a recomendar MANUTENÇÃO para suas ações (ALUP11).
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