A Isa Energia Paulista antiga Transmissão Paulista é uma das principais concessionárias privadas do setor de transmissão de energia do Brasil. Através das suas linhas trafegam 30% da energia elétrica produzida no Brasil e 60% da energia consumida na região Sudeste, o que equivale a quase 100% do consumo do estado de São Paulo. A companhia fica sediada em São Paulo e atua com ativos próprios por meio de subsidiárias e participações em 16 estados brasileiros.
A Isa Energia Paulista atua em um segmento pouco impactado pelos riscos hidrológicos e pelas variações de preço da energia elétrica que no caso é o segmento de transmissão de energia elétrica.
Outro grande diferencial deste segmento e por consequência da empresa, é a forma na qual ocorre a remuneração que é via RAP (Receita Anual Permitida) onde parcela da receita que as transmissoras recebem é da disponibilidade do serviço e não da quantidade de energia que transmitem. Com isso na contratação dos serviços de transmissão a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) estipula o quanto cada transmissora receberá via RAP. A Isa Paulista é uma das maiores empresas do Brasil de receita anual permitida.
A empresa ainda possui uma atuação geográfica bem diversificada já que apresenta presença em várias regiões do Brasil além de seguir com participação ativa nos leilões de transmissão que vem ocorrendo minimizando assim o risco de depender de poucas concessões.
Diante disso os resultados da empresa se mostram bastante resilientes mesmo em momentos de recessão econômica, além de apresentar previsível e alta geração de caixa devido ao seu modelo de negócio conforme já destacado.
De 2020 até 2024 a receita da Isa Paulista cresceu aproximadamente 72,7% o que é considerado alto para o setor em que atua impulsionado por fatores como: i) entrada em operação de novos projetos; ii) aquisição e desenvolvimento de novas aquisições ; iii) colocação de diversos projetos ao longo do período o que aumento a base de ativos remunerados e ; iv) maior receita de construção devido a investimentos em novas linhas e reforço de rede.
No entanto o Ebit (Lucro Operacional) apresentou queda na mesma base comparativa saindo de R$ 3,95 bilhões e indo para R$ 3,59 bilhões tendo como principal motivo o efeito nulo do crescimento da receita de construção que explicou parte do avanço na receita da companhia que à medida que cresce, os custos de construção também crescem na mesma proporção, pois quando a empresa constrói uma linha ou subestação, precisa reconhecer simultaneamente os dois itens (receita de construção e custo de construção). Logo, podemos dizer que parte do crescimento da receita teve baixo impacto operacional e baixo impacto no EBIT sendo assim um efeito meramente contábil.
As aquisições e os investimentos em novas linhas levaram a dívida bruta da companhia sair de R$ 7,41 bilhões e ir para R$ 16,0 bilhões mais do que dobrando no mesmo intervalo comparativo mostrando que estas aquisições foram financiadas em boa parte com capital de terceiros. Porém seu nível de endividamento permanece ainda confortável com a dívida bruta correspondendo a 76,0% do patrimônio líquido da empresa.
Dessa forma, o resultado final da Isa Paulista acabara tendo alguma queda no período destacado saindo de R$ 3,0 bilhões (20201 e indo para R$ 2,4 bilhões (2025).
A piora operacional nos últimos anos parece está mais relacionada ao alto volume de investimentos feitos em que os projetos levam um tempo até sua maturação. Contudo, vale destacar que por ser uma empresa sólida, com atuação em um segmento resiliente e alta previsibilidade em seus resultados fazem com que a companhia tem certa blindagem em crises econômicas e diante desses fatores temos uma visão positiva para suas ações (ISAE4).
Disclaimer:
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Os comentários sobre a ISA Energia Brasil (ISAE4) referem-se à interpretação de demonstrações financeiras, indicadores econômicos e fatos públicos divulgados pela companhia. O conteúdo não representa recomendação de investimento, relatório de análise ou oferta de compra ou venda de valores mobiliários. As decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.