A Boa Safra é uma empresa brasileira focada na produção, beneficiamento, tratamento e comercialização de sementes, com portfólio que inclui soja, milho, sorgo, trigo, feijão e forrageiras. É descrita pela própria empresa como líder na produção de sementes de soja no Brasil e presença nacional
A atual elevada taxa de juros tende a impactar o custo de financiamento dos produtores o que pode reduzir compra de sementes de maior valor.
Nesse sentido algumas empresas do setor já estão sofrendo pressão de capital de giro e inadimplência.
Para enfrentar esse cenário a Boa Safra tem:
- Mantido o controle da alavancagem financeira
- Financiar parte da safra com recursos próprios e pré-pagamentos, reduzindo assim dependência de crédito bancário.
- Ampliação do uso de operações de barter, mecanismo típico do agro em que o produtor paga as sementes com parte da futura produção de soja o que mitiga o impacto dos juros altos.
Atualmente o Brasil é o país com a maior área plantada de soja no mundo seguido dos EUA. Desta forma estimativas recentes (Cepea/CNA, 2025) colocam o agronegócio entre ~23% a quase 30% do PIB dependendo da metodologia e do ano (variação ano a ano).
O negócio voltado para a produção de soja é o principal core businees da empresa, porém a companhia tem expandido a produção para outras culturas principalmente milho e feijão o que reduzirá assim o carater sazonal de suas receitas além de estar diversificando suas operações mitigando assim o risco de concentração.
Dito isto vamos aos números:
Entre 2020 a 2024 a receita da Boa Safra apresentou forte crescimento de 212,8% o que pode ser explicado pelos seguintes pontos: i) Brasil ampliou significativamente a área plantada de soja entre 2020 e 2024, passando de cerca de 36 milhões para mais de 45 milhões de hectares, segundo dados da Conab; ii) Expansão da capacidade industrial e; iii) Expansão da base de clientes e parcerias comerciais
O Ebit (Lucro Operacional) registrara crescimento porém bem abaixo da receita o que levou a diminuição nas margens que pode ser oriundo de fatores como: i) Pressão de custos agrícolas e inflação nos insumos ocasionado pelo aumento nos preços de fertilizantes e defensivos agrícolas, devido à guerra na Ucrânia e restrições logísticas; ii) Aumento das despesas operacionais por expansão e novas unidades em que após o IPO em 2021, a empresa iniciou forte plano de expansão; iii) Pressão logística e aumento no custo de frete interno já que a expansão para novas regiões agrícolas, a empresa precisou transportar insumos e sementes a distâncias maiores, aumentando o custo de distribuição.
A dívida bruta da empresa passou de R$ 116,7 milhões em 2020 para R$ 414,0 milhões em 2024, ou seja maior parte da expansão das suas operações fora financiada pelo capital de terceiros. Contudo seu nível de endividamento ainda permanece confortável com a dívida bruta representando 63% do patrimônio líquido da mesma.
Já seu lucro líquido passou de R$ 70,2 milhões em 2020 para R$ 93,5 milhões em 2024 em que durante esse período teve bastante oscilação devido a característica cíclica do negócio e o forte aumento da dívida onerosa para financiar a expansão das suas aperações.
Disclaimer:
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Os comentários sobre a Boa Safra (SOJA3) referem-se à interpretação de demonstrações financeiras, indicadores econômicos e fatos públicos divulgados pela companhia. O conteúdo não representa recomendação de investimento, relatório de análise ou oferta de compra ou venda de valores mobiliários. As decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.