A Brava Energia é o resultado da fusão entre a 3R Petroleum (RRRP3) e Enauta (ENAT3). O acordo foi fechado em abril de 2024 e envolvia a incorporação das ações da 3R pela Enauta, criando uma nova empresa com participação dos antigos acionistas de ambas — aproximadamente 53% para ex-acionistas da 3R e 47% para os da Enauta.
A Companhia tem como atividades: (a) explorar, produzir e comercializar petróleo e seus derivados, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, incluindo, sem limitação, as bacias sedimentares brasileiras às quais a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP (“ANP”) tenha concedido licenças, bem como bacias sedimentares no exterior; (b) realizar a importação e exportação de petróleo e quaisquer derivados assim produzidos; e (c) participar de outras sociedades como sócia, acionista ou quotista, no país ou no exterior, que atuem em atividades relacionadas ao core business da Companhia.
A companhia é a que possui maior nível de endividamento quando comparado com seus principais pares, Petroreconcavo e Petrorio, já que possui uma relação de dívida bruta/patr. liq de 1,28x enquanto seus pares possuem 0,53x e 1,05x respectivamente.
Tal fato se deve a herança do alto endividamento da 3R Petroleum, fruto de aquisições intensivas financiadas por dívida e ativos maduros que exigem mais CAPEX. Já a Petrorio e PetroReconcavo cresceram de forma mais conservadora, em que a primeira focou em eficiência que apesar da alta exposição ao preço do petróleo (Brent) boa parte da sua receita é hedgeada, enquanto a segunda possui alta exposição a contratos de gás previsíveis.
Soma-se a isso os altos custos operacionais (lifting cost) que são mais elevados do que seus pares, sobretudo considerando que a produção ainda não atingiu patamares que permitem economias de escala, os custos não recorrentes relacionados à integração (reorganização de equipes, sistemas e contratos) e eventuais ajustes contábeis (impairments, provisões) em ativos que tiveram revisões de valor.
Porém, a empresa tem tomado medidas para reduzir seu nível de endividamento e melhorar sua eficiência como:
- Foco em elevar a produção de petróleo e gás com a expectativa de alcançar pelo menos 100k bpde até o 4T26.
- Uso de técnicas de recuperação avançada em campos maduros, como injeção de polímeros, para aumentar a produtividade dos reservatórios.
- Reduzir o ritmo de investimentos em alguns ativos onshore para preservar caixa.
- Reduzir os descontos de venda do petróleo pesado em que os descontos comerciais já foram reduzidos para um dígito percentual, melhorando assim o preço realizado.
Entre 2021 (antiga 3R Petroleum) até o 3T25 (acumulado dos últimos 12 meses) a receita da Brava saiu de R$ 727,8 milhões para R$ 11,0 bilhões tendo assim um forte crescimento de aproximadamente 1400% que foi oriundo de fatores como: i) Aquisição de diversos campos da Petrobrás; ii) Fusão com a antiga Enauta; iii) Forte crescimento da produção e; iv) Entrada de produção offshore de maior escala.
A forte expansão da receita resultou em expressivo crescimento do Ebit no mesmo período que saiu de R$ 248,7 milhões para R$ 2,7 bilhões, porém com perda de margens devido a: i) Ativos adquiridos da Petrobrás que ainda não atingiram o nível de maturidade; ii) Ganhos de sinergia ainda não alcançados após fusão com a Enauta; iii) Maior custo de extração em alguns campos e; iv) Descontos nos preços do petróleo vendido.
Por outro lado a dívida bruta da Brava Energia teve significativo aumento em igual intervalo de comparação ao atingir R$ 15,9 bilhões no 3T25. Entre os motivos deste aumento estão: i) Aquisições de ativos da Petrobrás que envolveram bilhões de reais em pagamento sendo financiadas através de emissão de dívida; ii) Desenvolvimento de projetos offshore que exigem CAPEX extremamente elevado e; iii) Fusão com a Enauta que trouxe passivos e compromissos financeiros adicionais.
Por último o lucro líquido da empresa acabou capturando em parte o crescimento da receita ao sair de prejuízo de R$ 905,0 milhões para R$ 971,8 milhões no 3T25 (acumulado dos últimos 12 meses) em que ao longo deste período houveram fortes oscilações deste item na companhia devido a estrutura assumida após fusão 3R Petroleum e Enauta e a ciclicidade do setor de petróleo.
Disclaimer:
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Os comentários sobre a Brava (BRAV3) referem-se à interpretação de demonstrações financeiras, indicadores econômicos e fatos públicos divulgados pela companhia. O conteúdo não representa recomendação de investimento, relatório de análise ou oferta de compra ou venda de valores mobiliários. As decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.