O grupo GPS é uma companhia prestadora de serviços focada em oferecer soluções para os segmentos de Facilities, Segurança, Logística, Engenharia de Utilidades, Serviços Industriais, Alimentação e Serviços de Infraestrutura.
Suas ações estão sendo negociadas desde abril/2021 na bolsa brasileira. A empresa tem usado os recursos do IPO para fazer diversas aquisições que tem sido bem sucedidas, vide seus recentes resultados trimestrais em que os números tem apresentado crescimento sólido.
O segmento de Facilities possui alta fragmentação em que líderes têm fatias relevantes mas não monopolizam o mercado; muitos contratos locais são de players regionais o que abre espaço para companhias bem capitalizadas como a GPS fazer novas aquisições.
A atividade econômica aquecida impulsiona empresas e órgãos públicos a contratarem mais o que ampliam assim os serviços da companhia. Por outro lado, em caso de recessão cortam terceirização ou renegociam preços.
Vale dizer que as vantagens competitivas da GPS estão:
1) Escala e abrangência nacional o que colabora para a empresa ganhar grandes contratos;
2) Portfólio integrado (limpeza + segurança + alimentação + manutenção) possibilitando oferecer serviços adicionais para clientes que já possuem contrato com a empresa (cross-selling) aumentando assim a receita por cliente além de criar maior retenção e reduzir o custo por prospecção.
A receita da GPS registrou forte crescimento entre 2020 a 2024 saindo de R$ 4,9 bilhões (2020) e indo para R$ 14,8 bilhões (2024). Tal crescimento foi oriundo de: i) Crescimento via aquisições com a aquisição mais relevante sendo da GRSA (GRSA Compass) que quase dobrou o tamanho da empresa; ii) Conquista de grandes contratos corporativos e públicos e; iii) Crescimento da terceirização no Brasil com as empresas buscando reduzir custos fixos para focar no “core business”.
O Ebit registrou forte crescimento porém não na mesma proporção que a receita com a companhia tendo alguma perda de margem, pois saiu de R$ 466,1 milhões (2020) e foi para R$ 1,1 bilhões (2024) devido ao custo de mão de obra, que representa a maior parte das despesas operacionais da companhia e teve forte expansão impulsionado pelos seguintes fatores: i) Inflação de salários acima do IPCA, puxada por reajustes de acordos coletivos; ii) Aumento de encargos trabalhistas e benefícios e; iii) Dificuldade de repassar integralmente esses aumentos nos contratos de prestação de serviços, principalmente os de longo prazo e com preço fixo.
Por outro lado, a dívida bruta acabou tendo expressivo aumento saindo de R$ 1,4 bilhões (2020) e indo para R$ 5,2 bilhões (2024) o que demonstra que para financiar o forte crescimento dos últimos anos a GPS precisou fazer uso de capital de terceiros. Dessa forma, o atual nível de endividamento da companhia está em 1,33, ou seja, a dívida bruta representa 133,0% do patrimônio líquido da mesma o que consideramos elevado com risco assim moderado.
Por último, apesar da queda nas margens e aumento da dívida onerosa, a empresa fechou 2024 com lucro líquido de R$ 657,8 milhões ante R$ 282,6 milhões em 2020.
Disclaimer:
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Os comentários sobre a GPS (GPSS3) referem-se à interpretação de demonstrações financeiras, indicadores econômicos e fatos públicos divulgados pela companhia. O conteúdo não representa recomendação de investimento, relatório de análise ou oferta de compra ou venda de valores mobiliários. As decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.