A Companhia Siderúrgica Nacional é considerada a primeira produtora integrada de aços planos no Brasil, tendo desempenhado papel importante na industrialização nacional. Em 1993, o Governo vendeu a participação de 91% que detinha na Companhia, abrindo espaço para uma longa fase de expansão nos negócios da Empresa.
A forte entrada do aço chinês no mercado brasileiro, somada com a política do presidente dos EUA Donald Trump de proteção as industrias norte-americanas e dificuldades do setor imobiliário na China que ainda é agravada pelos juros em nosso país estarem no nível mais alto dos últimos vinte anos tem colaborado de forma prepoderante para a difícil situação da CSN que vem apresentando resultados com margens comprimidas e dívida bastante elevada.
Diante dessa conjuntura a CSN já anunciou medidas na tentativa de reverter essa situação como:
Vendas de ativos, principalmente em cimento e infraestrutura
Dobrar o Ebitda em oito anos
Em relação a venda de ativos, a administração destacou duas iniciativas principais: (i) a venda de uma participação relevante, porém minoritária, nos ativos de logística e infraestrutura que abrange sete ativos (portos, ferrovias e outras estruturas multimodais) e; (ii) a venda de uma participação de controle na CSN Cimentos. Ambas iniciativas estão previstas para 2026 com a expectativa segundo a empresa de que consiga algo entre R$ 15 – 18 bilhões em recursos.
Em nossa visão, a companhia está sendo otimista, já que esses valores pressupõem que a empresa consiga alcançar valuations acima dos pares listados.
De qualquer forma é uma direção no passo certo, pois a empresa está priorizando uma maior participação em infraestrutura em detrimento do cimento visando assim melhor previsibilidade de fluxo de caixa e redução marginal a exposição a commodities.
Quanto a meta de dobrar o Ebitda em oito anos, a CSN visa através de duas frentes: (i) Impulsionar o crescimento de volumes e expansão de margens na CMIN (braço de mineração da companhia), principalmente com o desenvolvimento do projeto P15; e (ii) Alcançar EBITDA acima de R$ 10 bilhões por ano em infraestrutura, sustentado sobretudo por Tecar, TLSA e contribuições incrementais menores de outros ativos.
Em relação aos números dis últimos anos temos:
Diante do cenário adverso destacado, a CSN apresentou queda na sua receita nos últimos anos que passou de R$ 47,9 bilhões em 2021 para R$ 44,8 bilhões em 2025 que fora impulsionada por: i) Concorrência no mercado interno ; ii) Desaceleração da atividade doméstica devido a elevação da selic e; iii) Em 2021 foi marcado pelo fim de um ciclo de commodities extramente favorável.
O Ebit teve queda ainda mais acentuada na mesma base comparativa, pois atingiu R$ 6,4 bilhões (2025) ante R$ 19,1 bilhões (2021) levando assim a empresa a ter significativa perda de margens na qual fora ocasionada por: i) Aumento expressivo dos custos de insumos como carvão metalúrgico e sucata; ii) Pressão das importações e concorrência doméstica através da forte entrada do aço chinês no mercado interno que fora ajudada pela crise no setor imobiliário na China e; iii) Ambiente global menos favorável para o aço
A dívida bruta teve expressivo aumento já que atingiu R$ 52,9 bilhões em 2025 ante R$ 32,5 bilhões em 2021 devido a: i) Expansão agressiva no negócio de cimento ; ii) Forte aumento da selic e; iii) Maior captação de recursos de terceiros para financiar a expansão das operações. Com isso, o atual nível de endividamento da CSN encontra-se bastante elevado em que a dívida bruta representa 411,0% do patrimônio líquido da empresa.
Diante destes fatores, houve forte reversão no resultado final da companhia em igual intervalo de comparação que passou de lucro líquido de R$ 12,3 bilhões em 2021 para prejuízo de R$ 2,0 bilhões em 2025.
A CSN segue enfrentando um cenário bastante adverso devido a selic na máxima histórica nos últimos 20 anos, elevado nível de endividamento que colabora para pressionar seus resultados, forte concorrência com o aço chinês e capacidade comprometida do governo de fazer novos investimentos diante da delicada situação fiscal das contas públicas. Porém, acreditamos que o atual nível de preço das ações da empresa (CSNA3) já refletem as atuais dificuldades enfrentadas pela mesma. Dessa forma nossa recomendação é de MANUTENÇÃO para suas ações (CSNA3).
Disclaimer:
Este relatório foi elaborado de forma autônoma pelo analista Caio R. Lyra Farme D’Amoed nos termos da Resolução CVM nº20/2021, Art. 3, inc.I, para uso exclusivo de seus assinantes, não podendo ser reproduzido ou distribuído por qualquer pessoa sem expressa autorização dele. As informações, sugestões e opiniões contidas neste relatório tem como objetivo prover informações e sugestões, assim sendo informamos que o retorno e o risco associado de quaisquer decisões de investimento ou desinvestimento tomadas a partir de suas informações e sugestões, são exclusivamente do cliente ou usuário deste relatório. As informações contidas neste relatório são consideradas confiáveis na data de sua publicação. Entretanto, as informações aqui contidas não representam por parte do analista Caio R. Lyra Farme D’Amoed garantia de exatidão das informações prestadas e projeções efetuadas.