A Celesc – Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A é uma holding controlada pelo Governo de Santa Catarina sendo monopolista natural na distribuição no estado.
Santa Catarina é um dos estados mais dinâmicos do país, com previsão acima da média nacional. A demanda tende a crescer:
- Entre 3% e 4% ao ano na distribuição, acima da média nacional
Em 2024, a Celesc apresentou perdas totais sobre energia injetada (acumulado 12 meses, 2024) de 7,23% abaixo do limite regulatório apurado pela ANEEL para sua área, que foi 8,26%.
Contudo as perdas não técnicas atingiram 1,67% com esse tipo de perda estando abaixo daquelas distribuidoras do país que registram os maiores níveis para esse indicador, porém em relação ao montante R$ 228,4 milhões é significativo e, proporcionalmente à receita, representou cerca de 2,1% do faturamento da companhia em 2024.
A inadimplência é outro ponto de atenção na empresa já que aquela referente até 90 dias terminou o ano de 2024 representando 8,36% da receita bruta dos últimos 3 meses.
Para reduzir as perdas não técnicas a empresa tem tomado medidas como:
- Automação e digitalização da rede
- Integração de geração distribuída
- Fortalecimento de redes para suportar picos e novos consumidores
- Expansão do CAPEX para modernizar e reduzir perdas
A Celesc apresentou um crescimento de aproximadamente 21,6% na receita líquida entre 2020 a 2024 representando assim um crescimento de aproximadamente 5,4% ao ano não estando muito distante da inflação com o ápice desta rubrica sendo entre 2021 e 2022, ou seja, a empresa registrou queda no faturamento deste então nos últimos trimestres em um estado (Santa Catarina) considerado um dos maiores de renda per capita do país o que prova falha na gestão quanto a arrecadação algo revelado ao longo desta análise ao comentarmos sobre a inadimplência da empresa.
No entanto o Ebit (Lucro Operacional) no mesmo período de comparação teve comportamento diferente, pois saiu de R$ 643,6 milhões em 2020 e foi para R$ 1,0 bilhão em 2024 tendo trajetória crescente neste intervalo. Essa boa performance se deve a fatores como: i) Melhora no reconhecimento tarifário (Reajustes e Revisões Tarifárias da ANEEL), já que a Aneel reconheceu custos maiores de compra de energia e encargos setoriais, repassando assim nas tarifas; ii) Redução das perdas totais (técnicas e não técnicas); iii) Aceleração dos projetos de automação e digitalização das operações e; iv) Ganhos de escala e reestruturações internas através de reorganizações internas, melhora nos processos comerciais (cobrança, corte/reativação, PDD) e implementação de melhorias em TI e sistemas
Contudo seu nível de endividamento teve um aumento considerável saindo de R$ 1,9 bilhões em 2020 para R$ 4,2 bilhões em 2024 o que pode ser explicado por alguns fatores como: i) Aumento expressivo do CAPEX para a melhoria da qualidade (redução de DEC/FEC), modernização da infraestrutura (automação, telemedição, troca de transformadores e postes) e redução de perdas não técnicas; ii) Maior necessidade de capital de giro diante do aumento da inadimplência e das perdas não técnicas em valor absoluto e aumento do prazo de recebimento; iii) Adoção de projetos estruturais que exigem alavancagem e; iv) Custos setoriais elevados e volatilidade da compra de energia, pois em alguns anos a empresa precisou absorver altos preços de energia no mercado regulado e livre. Devido a esse aumento no endividamento, a relação dívida bruta/patrimônio líquido está atualmente em 1,15 x ou seja, a dívida bruta representa 115,0% do patrimônio líquido da empresa o que consideramos alto.
Por último o lucro líquido atingiu R$ 715,8 milhões em 2024 ante R$ 518,7 milhões em 2020 não acompanhando assim o mesmo crescimento do ebit devido ao aumento da dívida que somado com a elevação da selic fez a Celesc incorrer em maiores despesas financeiras.
Disclaimer:
Este artigo tem finalidade exclusivamente educacional e informativa. Os comentários sobre a Celesc (CLSC4) referem-se à interpretação de demonstrações financeiras, indicadores econômicos e fatos públicos divulgados pela companhia. O conteúdo não representa recomendação de investimento, relatório de análise ou oferta de compra ou venda de valores mobiliários. As decisões de investimento são de responsabilidade exclusiva do investidor.